Poemas de 2025

SETEMBRO

- como a gente foi chegar aqui?

Quem diria que a gente chegaria até aqui?

Nós éramos meninas apaixonadas,
fazendo declaração uma para outra.
Prometemos que, independente de
qualquer coisa, continuaríamos juntas.

Você passava aqui depois das 18hrs,
mas quando não dava, ligava.
Eu via o mundo parar
quando nós duas estávamos juntas.
Quem diria que a gente chegaria até aqui?

Mas tínhamos muito a melhorar ainda.
Queria voltar no tempo e mudar as coisas,
nem que seja por um segundo, eu mudaria.
Mas estamos aqui, seis anos depois:
eu escrevendo música e você, um livro.

Como a gente foi chegar aqui?

- suco do caos

Talvez eu nem faça falta.
Talvez eu só tenha que ir embora.
Talvez eu não tenho nada para fazer aqui.
Talvez eu só...

"Ah, mas as pessoas vão sofrer"
Mas e eu? Como fico? Com a dor?
Não é sobre eles e sim, sobre mim.

Decidi fazer por mim o que ninguém
jamais poderia fazer por mim.
Sumir, desaparecer, tirar pessoas
da minha vida.

Lutar mais um dia,
lutar contra a depressão.
No final, o maior ato de coragem
é viver mais um dia.



OUTUBRO

- ser eu

Eu tinha parado de escrever,
escrever como eu me vejo,
como eu me sinto...

Mas sabem o que eu aprendi
nesse tempo?
Que é libertador chorar.
Que conversar faz bem.
Ter pessoas que ama você
por perto é importante.

Tô tentando chorar mais,
Conversar mais,
E o mais importante,
ter pessoas comigo.



NOVEMBRO

- quem sou?

Eu sei quem eu sou,
mas as vezes não sei
nem o meu nome.

Quem sou, afinal?
Uma mera mulher qualquer
Que rir quando deve chorar?
Só vive, apenas aguenta?

Acho que não.
Então, o que será de mim
Sem o meu verdadeiro eu?

Sem a música.
Sem a escrita.
Sem a espiritualidade.
Sem a intensidade.

A música silencia
O caos da vida.

A escrita é uma forma
De sagrar sem me machucar.

A espiritualidade me guia
Quando me sinto perdida.

A intensidade é meu jeito
De amar e existir.

Isso tudo sou eu, afinal.

- e por que não escrever?

E por que não escrever?
E por que não escrevendo?

Escrever faz parte do que eu sou.
É como me comunico.

Gosto de palavras novas,
elas me lembram
que ainda tenho o que dizer.

Falo,
anoto,
decoro,
pra lembrar de usar depois,
num poema meu pra alguém.

E por que não escrever?
E por que não escrevendo?

Eu escrevo pra lembrar
de quem eu sou,
dos meus sentimentos.

Enquanto há sentimentos
em mim, sempre haverá
Um poema.

- um olhar, mil palavras

Em um dia qualquer,
do nada,
parou de existir
eu e você,
viramos nós.

Um toque,
um olhar,
um beijo.

O tempo deu uma volta.
E agora, o que somos?
A gente é algo certo?

Não há o que responder.
Os olhares falam
por todas as palavras.

As palavras que vêm
de outras pessoas
em nós
chegam mudas,
silenciosas.

Mas a gente sente elas.