Poemas de 2026

MAIO

- um dia irei...

Será que algum dia eu vou encontrar um amor?

Um amor que não me sufoque,
que eu me sinta bem,
e não um amor
que eu sinta medo.

Medo de não gostarem
do jeito que eu sou.

Eu sumo, eu desapareço.
Não consigo ficar conversando
todos os dias.

Mas amor não é presença o tempo inteiro,
e ausência não significa abandono.

Só basta alguém entrar na minha vida
entendendo isso.

Entendendo que, às vezes, eu silencio,
às vezes desapareço,
mas nunca por falta de sentimento.



JUNHO

- o seu para

Eu fico imaginando que,
quando alguém morre,
vai ressuscitar,
igual a Jesus.

Que a morte não existe
e que todos são imortais.

Mas quando alguém morre,
quando percebo que não vai voltar,
meu mundo desaba.

Meu mundo colide com o luto,
e eu fico em luto pelo resto da vida.

Eu sei que a gente
nasce, cresce e morre.
É o ciclo da vida:
começo, meio e fim.

Mas, porra, não dá para se
acostumar com a morte.

Apesar de que,
todo dia, alguém morre,
a gente não se acostuma.

Porque a gente se
acostuma com a pessoa,
cria um vínculo emocional,
constrói memórias.

E, do nada, esse vínculo acaba.

Acaba numa terça-feira qualquer,
às sete horas da manhã,
enquanto você espera sua aula começar.

Mesmo sem saber.

Porque você só vai descobrir
ao meio-dia,
quando a aula acabar.

E, naquele instante
em que você descobre,
o mundo continua
girando para todo mundo.

As pessoas continuam
vivendo as suas próprias vidas.

Mas o seu para.

- em outra vida

Eu não quero ir embora,
mas entre ficar e me sentir presa,
prefiro ir embora e me sentir livre.

É, eu sei que disse que
gostava de você.
Mas imagina,
eu e você sem ter que
ficar cobrando coisas.

Tô cansada de ficar esperando
algo que eu sei que não vou ter.
E você tá cansada de me esperar.

Então, por nosso bem,
é melhor acabar por aqui.

Não porque faltou carinho
ou vontade de tentar,
mas sim porque duas pessoas
se encontraram no momento errado,
na hora errada.

E por mais que tentamos,
o amor não se sustenta sozinho.
Porque, à distância,
não tem como sustentar.

A ausência dificulta
e, infelizmente,
não posso deixar de ser ausente.

Talvez em outra vida,
em outro momento,
nós tivéssemos dado certo.

Mas nesta,
não iremos.

- eu juro

Eu não podia mais abrir mão de mim.
Eu juro que fiz tudo o que pude.

Mas fui eu quem pediu para você
não me dar mais amor,
porque eu não sei retribuir.

Ou talvez eu saiba,
mas, neste momento,
eu não posso.

Queria que você tivesse conhecido
uma versão diferente de mim,
aquela que ama sem medo,
que não teme o amanhã.

Eu te juro,
fiz tudo o que pude.

Eu me permiti gostar.
Eu gostei,
e ainda gosto de você.

Não fugi do sentimento.

Fugi para preservar minha saúde mental,
para reaprender a me amar.

E eu diria para você me esperar,
mas isso não seria justo.

Eu te juro,
fiz o que pude.

E, se a minha intensidade ainda for me matar,
prefiro ser poesia,
e deixar histórias para contar.

- aquela saudade...

Eu sinto muita falta sua.
Queria saber se você também sente.

Queria saber como você está,
se você encontrou alguém
que te mereça.

Queria saber se você
voltaria a falar comigo.
Eu…

Eu queria saber várias coisas
sobre você,
mas queria saber,
principalmente,
se a gente voltaria
a ser o que nós éramos.

A gente não namorava,
a gente era só amigas,
mas nos tratávamos
como namoradas.

Sinto sua falta.

Sonhei com você um dia desses…

- o “será” e “e se”

Queria te mandar mensagem.
Queria dizer que te quero.
Queria você de volta.

Mas, infelizmente, não posso.
Fiz uma escolha:
me querer e não te querer.

Mas será que a gente
teria dado certo mesmo?
Será que a gente estaria felizes?

E se a gente não desse certo depois?
E se…

Caralho, é muito “será” e “e se”
para uma situação
que não tem volta,
mas que eu queria
que desse certo.

Pensei por um segundo
que você fosse a
minha pessoa.